Impacto no meio ambiente
Relatório sobre obras na orla prevê 47 efeitos, sendo mais de dois terços negativos, incluindo ataques de tubarão
Da Redação do Diário de Pernambuco - 17.03.2012
As obras de contenção do avanço do mar no Recife, em Jaboatão dos
Guararapes, em Olinda e em Paulista estão mais perto de sair do papel. O
Relatório de impacto ambiental (Rima) - Recuperação da orla marítima,
que está sob análise da Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH),
permitiu ao estado marcar a audiência pública para 10 de abril, com
representantes dos municípios, e abriu o debate sobre os impactos que a
recuperação de 19 praias podem ocasionar por causa das obras de engorda.
Dos 47 efeitos listados, mais de dois terços são considerados
negativos. Os estudiosos envolvidos afirmam que, durante e após a obra,
haverá perdas para os pescadores e incluem a possibilidade de aumento
nos ataques de tubarão. As informações devem esquentar a discussão.
A diminuição da pesca pode ser causada pela dragagem de sedimentos em
suspensão na água, o barulho, a movimentação da draga e o assoreamenteo
do leito de rios e lagoas, recifes e manguezais. A isso, somam-se a
perda da área de reprodução de espécies e da diversidade biológica. A
equipe responsável pelo Rima, realizado pelo Instituto de Tecnologia de
Penambuco (Itep), aponta a proteção dos imóveis e a melhoria da
qualidade das praias como aspectos que justificam a obra. Mesmo assim,
indicam uma série de perdas do ponto de vista social e econômico. O Rima
reforça, porém, a necessidade dos serviços para conter o avanço do mar.
Eles são indispensáveis.
O secretário estadual de Meio
Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, enxerga pelo mesmo ângulo.
Segundo ele, os estragos provocados pelo mar podem aumentar sem a
execução das medidas planejadas “e baseadas em estudos científicos com
reconhecimento dentro e fora do Brasil”. A base do relatório são
pesquisas da empresa Coastal Planning, especializada em contenção do
avanço do mar, e do MAI, projeto de Monitoramento Ambiental Integrado e
Avaliação dos Processos de Erosão Costeira em Paulista, Olinda, Recife e
Jaboatão dos Guararapes.
Serão investidos, a princípio, R$
336,1 milhões para recuperar 48,1 quilômetros de praias nos quatro
municípios. A obra começa em Jaboatão, possivelmente em junho. Por dois
motivos, segundo o secretário executivo de Meio Ambiente, Hélvio Polito.
O primeiro, de caráter científico, está relacionado ao movimento das
correntes marinhas. O segundo, por estar o município com a documentação
em estágio mais avançado. Após Jaboatão, segundo o projeto, virão os
serviços do Recife, de Olinda e de Paulista. A conclusão deve ocorrer
antes do início da Copa do Mundo, em junho de 2014.
Na semana
passada, Jaboatão anunciou que faria uma audiência pública, item exigido
pela lei, individualmente em 2 de abril. Com a entrega do Rima ao CPRH,
estado e prefeitura decidiram unificar a data para os quatro
municípios. Será no dia 10. A previsão, segundo Sérgio Xavier, é que a
licença prévia para a obra seja concedida no dia 28 de abril. Com isso, o
processo de licitação pode legalmente ser aberto. (Jailson da Paz)
Fonte: Facebook
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