sexta-feira, 23 de março de 2012

Consequências das obras de contenção do avanço do mar incluem perda de diversidade biológica e ataques de tubarão

Impacto no meio ambiente

Relatório sobre obras na orla prevê 47 efeitos, sendo mais de dois terços negativos, incluindo ataques de tubarão

Da Redação do Diário de Pernambuco - 17.03.2012

As obras de contenção do avanço do mar no Recife, em Jaboatão dos Guararapes, em Olinda e em Paulista estão mais perto de sair do papel. O Relatório de impacto ambiental (Rima) - Recuperação da orla marítima, que está sob análise da Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH), permitiu ao estado marcar a audiência pública para 10 de abril, com representantes dos municípios, e abriu o debate sobre os impactos que a recuperação de 19 praias podem ocasionar por causa das obras de engorda. Dos 47 efeitos listados, mais de dois terços são considerados negativos. Os estudiosos envolvidos afirmam que, durante e após a obra, haverá perdas para os pescadores e incluem a possibilidade de aumento nos ataques de tubarão. As informações devem esquentar a discussão.

A diminuição da pesca pode ser causada pela dragagem de sedimentos em suspensão na água, o barulho, a movimentação da draga e o assoreamenteo do leito de rios e lagoas, recifes e manguezais. A isso, somam-se a perda da área de reprodução de espécies e da diversidade biológica. A equipe responsável pelo Rima, realizado pelo Instituto de Tecnologia de Penambuco (Itep), aponta a proteção dos imóveis e a melhoria da qualidade das praias como aspectos que justificam a obra. Mesmo assim, indicam uma série de perdas do ponto de vista social e econômico. O Rima reforça, porém, a necessidade dos serviços para conter o avanço do mar. Eles são indispensáveis.

O secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, enxerga pelo mesmo ângulo. Segundo ele, os estragos provocados pelo mar podem aumentar sem a execução das medidas planejadas “e baseadas em estudos científicos com reconhecimento dentro e fora do Brasil”. A base do relatório são pesquisas da empresa Coastal Planning, especializada em contenção do avanço do mar, e do MAI, projeto de Monitoramento Ambiental Integrado e Avaliação dos Processos de Erosão Costeira em Paulista, Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes.

Serão investidos, a princípio, R$ 336,1 milhões para recuperar 48,1 quilômetros de praias nos quatro municípios. A obra começa em Jaboatão, possivelmente em junho. Por dois motivos, segundo o secretário executivo de Meio Ambiente, Hélvio Polito. O primeiro, de caráter científico, está relacionado ao movimento das correntes marinhas. O segundo, por estar o município com a documentação em estágio mais avançado. Após Jaboatão, segundo o projeto, virão os serviços do Recife, de Olinda e de Paulista. A conclusão deve ocorrer antes do início da Copa do Mundo, em junho de 2014.

Na semana passada, Jaboatão anunciou que faria uma audiência pública, item exigido pela lei, individualmente em 2 de abril. Com a entrega do Rima ao CPRH, estado e prefeitura decidiram unificar a data para os quatro municípios. Será no dia 10. A previsão, segundo Sérgio Xavier, é que a licença prévia para a obra seja concedida no dia 28 de abril. Com isso, o processo de licitação pode legalmente ser aberto. (Jailson da Paz)



Fonte: Facebook

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